Amar-te é um doce. Querer-te que é doído. É ter o coração em festa e o corpo entristecido; É trazer tua presença em cada pensamento, E padecer da ausência a cada movimento. É querer teus beijos sem ter os lábios teus, Procurar teu abraço nos braços que são os meus; É sentir falta do cheiro que em ti se anuncia, E desejar teu colo ao findar de cada dia. Ah, como dói querer-te assim, tão demoradamente, Ter-te em todos os sonhos e não te ter presente. Querer afagar teus cabelos, repousar em teu abraço, E descobrir que a miserável da distância é que agora ocupa espaço. Sinto falta do carinho que dispensa a fala, Da tua pele que a minha, em silêncio, tanto reclama; Do riso que me desarma, do olhar que me encanta, E desse teu colo, onde até a tristeza se amansa. Sinto que há nos teus braços qualquer coisa de abrigo, Um lugar onde o mundo não parece tão inimigo. E, se me fosse dado escolher onde repousar, Seria entre teu peito e o direito de te amar. Não me faltam pensamentos, tampouco motivo...
Belíssima, de fato, não há o que contestar, mas essa era, provavelmente, a menor virtude a admirar. Pois há beleza que se contempla e logo se esquece, e há aquela que, quanto mais se conhece, mais cresce. Há um universo inteiro por detrás do teu olhar, uma mente inquieta, impossível de aprisionar. Não te contentas com a superfície das coisas, nem te curvam as verdades que te oferecem prontas e ocas. Há inteligência no modo como percebes, e uma lucidez que poucos olhos concebem. Vês nas entrelinhas o que tantos deixam passar, lês o silêncio onde outros só são capazes de falar. Tens a força de quem aprendeu a viver, sem fazer da própria dor razão para correr. Trazes a firmeza de quem conhece o próprio valor, sem que a altivez te roube a delicadeza ou mesmo o ardor. Tua perspicácia não precisa anunciar-se, basta um instante para o engano revelar-se. Há quem fale muito e pouco tenha a dizer; tu, às vezes, silencias, e fazes o mundo compreender. E se os teus traços primeiro me fizeram repar...