Existem no mundo palavras que parecem ter sido inventadas para explicar acontecimentos que somente a razão não consegue alcançar. "Serendipidade" é uma delas. Diz-se que é a capacidade de descobrir, por acaso, alguma coisa valiosa, útil ou extraordinária; um encontro que não foi planejado; uma beleza que surgiu diante dos olhos sem que a procurássemos. Mas há algo ainda mais bonito nessa palavra: o acaso, por si só, não basta. É preciso estar atento. É preciso ter os olhos preparados para reconhecer aquilo que a vida, inesperadamente, coloca diante de nós. Essa é, talvez, a parte mais bonita e mais irônica de toda a nossa história. Eu não saí pelo mundo procurando alguém como você, não desenhei um caminho que inevitavelmente me levaria até onde você estava, não sabia sequer que existia, em algum lugar desta imensa criação, alguém que pudesse ocupar em mim um espaço tão grande. E, ainda assim, você apareceu. Penso que não por mero acaso. Mas eu te reconheci. E penso que há enc...
Estive com você essa noite. Sonhei com você. Embora ainda não saiba se foi realmente um sonho. Há algo no que vi, e vivi, que me faz pensar que talvez tenha sido outra coisa: uma memória. Mas como poderia ser uma memória aquilo que ainda não vivemos? Talvez um vislumbre daquilo que somente vimos acordados, quando por muito conversamos sobre nossos planos e, novamente, nossos sonhos. E, caso tenha sido de fato um sonho, foi um daqueles que têm a capacidade de superar certas realidades. Eu estava contigo, era um sentimento tão familiar que, por mais que soubesse não ser o real, desejava não outra coisa se não permanecer ali, contigo. Sonhei com você, e vi seu sorriso, como quem contempla a aurora de um novo tempo. Como se, diante dos meus olhos, o mundo lentamente deixasse a escuridão para trás e o brilho que vinha de ti anunciasse que dias melhores finalmente haviam chegado. Havia ali a promessa de um começo, uma certeza de que alguma coisa bonita estava nascendo. Foi como assistir ao n...