O amor, quando o é, não se contenta em ser apenas aquilo que sentimos, ele nos convoca àquilo que ainda não somos. Porque houve um instante, silencioso, quase irrepetível, em que compreendi: ela era, sem esforço, a mais espetacular das criaturas que meus olhos já ousaram alcançar. E não falo de um deslumbramento raso, desses que o tempo dissolve com facilidade, mas de algo mais grave, mais denso, quase um espanto permanente, uma espécie de reverência íntima que não se explica, apenas se sustenta. E foi ali que o amor deixou de ser somente encanto e passou a ser decisão. Pois, sabendo quem ela era, não me bastava admirá-la. Não me bastava querê-la. Era preciso, de algum modo, tornar-me digno daquilo que eu reconhecia, não por imposição, mas por uma urgência quase sagrada de não amar de maneira pequena aquilo que em si ...
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