Quem vem ao longe?
Pergunto ao horizonte como quem escuta um rumor antigo, como se o vento carregasse consigo a promessa de algo que ainda não se revelou. E então compreendo: é como se uma flor atravessasse distâncias inteiras levada pelo sopro do mundo apenas para fazer valer a vida do jardineiro. Assim chegaste. E onde antes havia apenas a aridez silenciosa dos dias comuns, tua presença fez brotar um jardim inteiro dentro de mim.
Talvez seja isso que o "eu poético do verdadeiro encontro" tenta dizer, ainda que tropeçando em palavras insuficientes: existem encontros que não pertencem ao acaso, mas a uma espécie de necessidade secreta da vida. Como se duas histórias, caminhando por rotas longínquas, fossem lentamente conduzidas para o mesmo ponto do tempo, onde finalmente se reconhecem.
Há algo em você que escapa à linguagem. Posso tentar descrevê-la, reunir adjetivos, erguer frases como quem constrói uma ponte entre o sentir e o dizer, e ainda assim tudo parecerá menor do que aquilo que és. Porque há presenças que não se explicam, apenas se experimentam. Meu corpo percebe tua chegada antes mesmo que meus pensamentos a compreendam. Meu coração reconhece tua existência como quem encontra algo que sempre soube que existia.
És a mulher mais linda que meus olhos já contemplaram, mas essa, curiosamente, é a menor de tuas grandezas. Há em ti uma inteligência que inspira, uma empatia que transforma, uma delicadeza que surpreende o mundo e é capaz dominá-lo. Teu carisma não se impõe, ele ilumina. E ao teu lado descubro o raro privilégio de existir sem disfarces, de ser exatamente quem sou, com minhas imperfeições e silêncios. E ainda assim, por alguma graça inexplicável da vida, tu permaneces.
Penso, às vezes, que quem ama verdadeiramente já possui uma forma silenciosa de felicidade. Porque amar é como contemplar. Amar é reconhecer no outro uma espécie de milagre cotidiano. E se alguém ama como eu te amo, isso talvez já baste para tornar a vida digna de ser vivida.
Tenho me surpreendido parado por longos instantes diante da paisagem, não porque o mundo lá fora seja extraordinário, mas porque em cada horizonte minha mente te procura. O tempo passa devagar enquanto penso em ti, como se os minutos também quisessem permanecer nesse pensamento.
E então compreendo, com a serenidade de quem aceita uma verdade inevitável:
Quero-te no sempre.
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