Não sei se um dia serei capaz de dizer com exatidão aquilo que de fato sinto. Ou se tudo que te entrego é ainda pouco diante daquilo que em mim se move quando você existe, existe, porque me parece que fazes além do que viver.
É verdade que você me desorganiza até naquilo que eu nunca disse.
Sempre que você sorri é como se o sol rasgasse o céu da madrugada fazendo surgir a aurora, sem arrodeios, sem licenças, rasgando e inaugurando a luz do novo dia, e me deixando exposto demais ao que tento disfarçar.
E mesmo quando este transformador sorriso não é por mim, e sinto que injusta existência, ainda, e principalmente nesses instantes, é que mais aquece-me o coração.
Teu brilho me alcança como um acidente bonito, desses que a gente não quer evitar, mesmo sabendo da transformação essencial que provocará. E transforma, de fato.
Muda, vez que começo a me perceber onde antes não havia nada, como se tua mera existência revelasse falhas do que eu era antes de te notar. Eu já não sei onde termino sem pensar em onde você começa.
Há momentos em que me contenho, em que finjo, apenas finjo normalidade, distância, medida. Mas por dentro há um impulso quase indisciplinado de me inclinar inteiro em tua direção c como sente amar fosse um tipo de vertigem que escolhi não interromper.
Penso, é isso me assusta um pouco, que viver sem esse encontro seria como deixar de correr ar em meus pulmões, continuar vivendo igualmente depois de ti é impossível, já não existe aquilo que eu era, algo em se deslocou demais.
E talvez seja esse um de meus sentimentos mais íntimos, essa confissão como garantia, esse querer que não te existe, mas que também não se contém.
Se há um início nisso tudo, ele aconteceu sem que eu percebesse.
Foi onde te encontrei, quase sem defesa, meu suspiro inicial. Ou o exato instante em que comecei a a me perder em você.
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