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O Jovem Ben | Parte 3


Era um dia legal aquela quarta-feira 6 de março. Ben acordara às oito horas da manhã como de costume. Levantou-se depois de olhar as redes sociais e responder algumas mensagens de suas amigas, aquele dia em particular elas não haviam falado nada de muito interessante, apenas que alguns professores faziam questão de chegar atrasados na escola exigindo organização e disciplina.
Saindo de seu quarto, Ben foi direto para a cozinha e tratou de comer uma quantidade satisfatória de cuscuz, que estava bem amarelinho, parecia de fato os girassois de Van Gogh. Terminou de comer e foi cuidar em se aprontar para seu dia, e foi quando, escovando os dentes, lembrou-se que não havia concluído a atividade da professora Guilhermina, e ele sabia que se não entregasse a pesquisa sobre revolução russa, escrita em seu caderno, Mina seria capaz de cumprir sua promessa de joga-lo do alto de um pé de alface.
Terminou o que estava fazendo e saiu dali tão rápido quanto conseguia, foi para a sala de sua casa onde ele estudava, sentou-se em sua mesa de estudos, ligou seu belo notebook branco, pegou seu caderno azul, da cor do céu das praias no verão e começou a escrever. Contudo, no momento em que Ben começou, ele ouviu um som, parecia uma música, mas de muito mal gosto, vinha de uma das casas da vizinhança, mas o garoto não deu muita importância ao barulho e tornou a escrever, porém mal havia a caneta tocado na superfície do papel e ouviu-se outro barulho, um terrível misto de batidas de martelo na madeira e de uma serra partindo os sólidos materiais de construção, Ben pensou:
- Onde já se viu, todo esse barulho a essa hora da manhã. - Ele saiu na porta de sua casa e percebeu que todos os sons vinham da esquina da rua, a dez metros dali. Ben não podia fazer nada a respeito então decidiu voltar aos seus deveres.
Com muita dificuldade de concentração, finalmente conseguiu concluir, mas ao olhar para o relógio preto em seu pulso, percebu que já era hora de aprontar-se para a aula, então tratou de tomar banho, vestir seu uniforme azul e branco e ir almoçar. Sua mãe havia feito sua comida preferida, arroz com milho, uma carne frita tipicamente nordestina, macarrão e uma salada pra ninguém pôr defeito. Colocou seu almoço e andou em direção a sala de estar onde estava seu irmão, quatro anos mais novo, João, que estava assistindo algo em seu celular que parecia muito interessante.
- Que está assistindo aí? - Perguntou Ben.
- Paródias de futebol. - Respondeu João. Ben não gostava de futebol, apesar de seu pai além de professor era também educador físico.
Ben tratou de almoçar logo para não se atrasar. Quando enfim terminou, pôs os livros da mochila e partiu pra escola.
Ao entrar no carro pensou se haveria algum tempo livre entre as aulas daquele dia.
  Meu caro leitor, se queres saber a resposta para o questionamento do rapaz, a resposta é: Não! Todos os professores da escala estavam dispostos a cumprir a agenda de estudos.
Pois bem. Chegando no colégio, deu de cara o Irmão Miguel, o vigia dali, era um senhor de mais de 50 anos de idade, baixo e muito formal. Recebia as todos com muita alegria e às vezes com algumas perguntas, como foi naquela tarde.
- Boa tarde, Ben!
- Boa tarde, Irmão Miguel! Como andam as coisas? - respondeu Ben.
- Está tudo bem, mas me diga, o que você acha dessa juventude de hoje em dia, que passa a vida no celular e não liga pra nada?
- Ora, acho um desperdício de vida. Mas devo subir agora, sabes que às quartas-feiras inicia a tarde e ele não gosta de atrasos. - E subiu as escadas.
Entrou na sala com tudo! Mas a aula não havia começado. Os demais alunos estavam dispersos na sala. Kate e Ângela estavam sentadas na mesa do professor falando sobre a bendita atividade de história.
- Kate, fizeste a tarefa da Mina? - Perguntou Ângela curiosa.
- Fiz sim, assim que ela passou. - respondeu Kate.
Ben foi até as garotas e os três começaram a conversar quando de repente entra o professor de Biologia, um homem de quase dois metros de altura, magro, aparência jovem - e realmente era - e começou a aula; e do mesmo modo foram todos os professores da tarde até as quatro e meia da tarde, o horário de Guilhermina, os três junto com Dani, foram para a recepção da escola aguardar a chegada de Mina, e ficavam olhando os carros passarem.
- Qual o carro dela? - Perguntou Kate.
- É um branco. - Respondeu Dani
- Existem muitos carros brancos - retrucou Ben.
- É tipo um Corolla, mas totalmente diferente. - Falou Dani em um impulso.
- Nossa, muito legal... - Falou Ângela que começou a rir sem parar.
 De repente aparece uma figura no portão. Era Guilhermina.
- Corre! - Gritou Ben.
Os quatro fugiram dalí e entraram na sala de aula.
Logo atrás deles entrou a professora, com a chave do carro na mão esquerda.
- Qual é seu carro tia? - Perguntou Ben - Aquela ali disse que é um Corolla, totalmente diferente.
- É um Cronos. - Respondeu Mina rindo.
Após uma pequena conversa a aula iniciou, e junto com ela um barulho irritante de alunos desordeiros. Ben gritou:
- Calem a boca! A tia quer falar!
- Bagaceira grande! - Gritou Kate.
- Essa sala só tem gente besta. - Sussurrou Ângela.
- Digo é nada. - Falou Dani.
Tudo se tranquilizou e a professora começou a receber as atividades, e como era de se esperar, muitos daqueles sujeitos de desordem incontestável, não haviam feito.
- Na próxima aula quero tudo que está atrasado! E ai de quem não fizer. - Falou Guilhermina em alto e bom som. - Estão dispensados.
Ben desceu as escadas e foi para casa tranquilo naquele dia, porque não haviam atividades atrasadas, os dito cujos de sua sala seriam punidos e ele tinha um compromisso bem legal naquele fim de tarde.

Continua...

Comentários

  1. Adorei!! 👏👏👏♥️
    Realmente muito divertido. Ri muito, assim como me envolvi, mais ainda, com o enredo da história.
    Arrasou!👏😍

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