Pular para o conteúdo principal

O Jovem Ben | Parte 4


O episódio de hoje se passa imediatamente após o fim do episódio passado.

Ben desceu as escadas feliz, pois estaria livre dos deveres que a maioria de seus colegas iria fazer. Quando chegou na porta da escola, estavam esperando ele, Henrique, Thiago e Cristina ( Cris ), três alunos do ensino médio que eram seus amigos e companheiros na árdua jornada de ir da escola para casa. Os três eram de estatura consideravelmente alta, Cris era  a mais alta dos três, uma jovem bonita, cabelos loiros. Thiago era "gordinho", e gostava muito de falar alto e sorrir por tudo, ele era o engraçado do grupo, e por fim, Henrique, um rapaz aproximadamente um metro e setenta de altura, sarcástico, inteligente e com um senso de humor bem peculiar.
Os quatro desceram a rua do colégio falando sobre como havia sido o dia, os três mais velhos comentavam sobre as histórias que sua professora de português contava na sala de aula, sobre um papagaio que anunciava as visitas e um cachorro muito obediente. Ben por sua vez ia ouvindo e fazendo alguns comentários. Até chegarem ao melhor ponto da viagem, onde eles tinham que atravessar uma rodovia muito movimentada. A preparação era épica, eles olhavam para os carros faziam os cálculos para saberem o momento exato de ir, passava um carro, passava outro, e os jovens em suas posições esperando. Quando passou um Ônix branco, Thiago disse:
- Agora! Corre! - E foram, mas havia algo errado.
- Esperem! - Gritou Cris que havia ficado para trás.
Henrique olhou aquilo e pensou:
- Tão bonita, mas tão lenta.
Após alguns minutos de espera, Cris juntou-se a eles, então puderam continuar a jornada. 
Chegaram a uma pracinha que fazia uma bifurcação naquela rua. Henrique foi pela primeira, pois era a rua em que ele morava. Os outros três foram na segunda rua, e a partir da entrada daquela rua contava-se quinze metros e eles dobravam a esquina e chegavam ao residencial em que Cris morava e que eles iam todos os dias ao sair da escola.
Entrando lá, via-se na calçada da pracinha arborizada algumas figuras icônicas, Tiana, mãe de Cris, Vanda, uma vizinha que era uma senhora muito legal e seu esposo Emílio. Estavam todos sentados na praça, que ficava exatamente na frente da casa de Cris, eles estavam tomando café e conversando. Os três foram se aproximando, Cris chega a dizer que naquele trecho da "caminhada" os dois rapazes andavam mais rápido do que em todo o resto. Os três sentaram-se e começaram a falar.
- Tia Tiana, sua filha quase fica para trás, não presta atenção no mundo e perde o ponto. - Disse Ben em um tom de comédia.
- Vocês que não me esperam, não sei pra quê essa pressa! - Retrucou Cris.
- Sim tia, mas iai como andam as coisas? - Perguntou Thiago, mudando totalmente de assunto.
- Está tudo bem. - Respondeu Tiana com seu sotaque paulistano inconfundível. - Sim, vamos jogar alguma coisa?
- Vamos, cadê o Uno? - Disse Thiago animado.
E os quatro começaram a jogar enquanto conversavam e o tempo passava.
O placar da noite foi: Tiana ganhou quatro vezes, Thiago três, Cris três e Ben uma.
- Tá mal viu amiguinho. - Disse Tiana rindo.
- É a falta de prática. - Disse Ben.
Então o rapaz olhou o relógio preto em seu pulso e disse: 
- Gente! Já é tarde, tenho que ir, Tchau! - Disse ele apressado e já saindo.
- Está cedo meu filho! - Disse Emílio com sua simpática voz rouca.
- Tchau, Ben! - Disseram os demais.
Ben saiu andando em direção a sua casa, feliz por haver passado o dia com pessoas que ele gostava.
- Esse garoto a cada dia que passa fica mais alto. - Disse Tiana de longe. Ben riu e  foi pra sua casa descansar para mais um dia no Colégio Drummond.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A Janela

     Paro diante daquela janela, grande, ornada, silenciosa. Há algo nela que não é apenas vidro: é limiar. Para além de sua transparência, estende-se uma paisagem que não pertence propriamente a lugar algum. Não é um caminho que leve de cá para lá, mas uma travessia mais profunda: de quem fui para quem serei; de ontem para um amanhã que ainda aprende a nascer.      Ali, na distância macia daquele horizonte, vejo um menino.  Ah, que menino luminoso!      Ri com a liberdade de quem ainda não aprendeu a medir a própria alegria. O vento passa por seus cabelos como se lhe contasse segredos antigos, e ele responde, talvez conversando com o céu, talvez com um amigo invisível que o acompanha desde antes de suas primeiras lembranças. Corre com um brinquedo na mão, tropeça na própria pressa de viver, levanta os olhos para o alto como quem reconhece, no infinito azul, uma voz familiar.      Era um menino iluminado.  E pressi...

Serendipidade

Existem no mundo palavras que parecem ter sido inventadas para explicar acontecimentos que somente a razão não consegue alcançar. "Serendipidade" é uma delas. Diz-se que é a capacidade de descobrir, por acaso, alguma coisa valiosa, útil ou extraordinária; um encontro que não foi planejado; uma beleza que surgiu diante dos olhos sem que a procurássemos. Mas há algo ainda mais bonito nessa palavra: o acaso, por si só, não basta. É preciso estar atento. É preciso ter os olhos preparados para reconhecer aquilo que a vida, inesperadamente, coloca diante de nós. Essa é, talvez, a parte mais bonita e mais irônica de toda a nossa história. Eu não saí pelo mundo procurando alguém como você, não desenhei um caminho que inevitavelmente me levaria até onde você estava, não sabia sequer que existia, em algum lugar desta imensa criação, alguém que pudesse ocupar em mim um espaço tão grande. E, ainda assim, você apareceu. Penso que não por mero acaso. Mas eu te reconheci. E penso que há enc...

Transformação

     O amor, quando o é, não se contenta em ser apenas aquilo que sentimos, ele nos convoca àquilo que ainda não somos.      Porque houve um instante, silencioso, quase irrepetível, em que compreendi:  ela era, sem esforço, a mais espetacular das criaturas que meus olhos já ousaram alcançar.      E não falo de um deslumbramento raso, desses que o tempo dissolve com facilidade,  mas de algo mais grave, mais denso, quase um espanto permanente, uma espécie de reverência íntima que não se explica, apenas se sustenta.      E foi ali que o amor deixou de ser somente encanto   e passou a ser decisão.      Pois, sabendo quem ela era, não me bastava admirá-la.      Não me bastava querê-la.      Era preciso, de algum modo, tornar-me digno daquilo que eu reconhecia,  não por imposição, mas por uma urgência quase sagrada de não amar de maneira pequena aquilo que em si ...