Depois da divisão de tarefas, os jovens pesquisadores daquela turma ficaram eufóricos, alguns foram imediatamente até a diretoria da escola olhar registros de alunos, e falar com a diretora para ter informações a respeito dos funcionários antigos. Mas nada disso foi de muita utilidade, pois não haviam informações suficientes nos registros e a diretora não estava na escola aquela tarde.
Para a sorte destes jovens entusiastas da história, a aula seguinte seria da professora Lydia, que era sobrinha da diretora e da coordenadora do Colégio, a qual acompanhou a história daquela instituição de perto. Então um aluno, por nome Mário, um rapaz branquelo de cabelo liso, primo de Kate, perguntou:
- Professora, o que a senhora sabe da história da escola?
- Como assim? – indagou Lydia
- Oras, a escola tem quase 30 anos, a senhora trabalha aqui a mais de 15, então eu achei que soubesse de algo que pudesse nos contar, assim, só por nossa curiosidade mesmo, estávamos falando sobre isso antes do intervalo.
- Ah sim por que não disse logo? Eu trabalho aqui a muito tempo porque esse foi meu primeiro emprego como professora, consegui esse emprego por ser sobrinha das donas da escola. – Contou ela.
E todos os alunos falaram de uma vez: “Sobrinha”?
- Sim, de onde vocês acham que vem meu sobrenome? O meu Fragoso é o mesmo delas. – explicou.
De fato foi uma surpresa para todos, mas até então ela não havia contado nada de importante para a investigação.
- Continuando, vocês sabem que o colégio foi vendido para o meu tio Vespúcio, marido da Maria, pelo fundador original não sabem?
- Fundador? Não sabíamos disso. Que história é essa? – Disse Camélia outra das alunas dali uma moça branca, loira, que costumava atrapalhar as aulas.
- Sim, o antigo dono era um senhor branco alto, que veio de Fortaleza, no Ceará trabalhar na unidade do Banco do Brasil aqui na nossa cidade. A esposa dele era professora, e por isso quando eles vieram pra cá ela ficou sem emprego fixo. Então ele depois de um tempo, comprou uma casa e a reformou e construiu o prédio em que estamos agora. O terceiro andar era a casa da família e os dois inferiores eram a escola. Mas um certo dia uma equipe veio da capital estadual averiguar o funcionamento da recém-nascida escola, e infelizmente eles recomendaram que os proprietários procurassem uma nova casa, pois aquela situação era irregular. E poucos dias depois eles se mudaram para a rua ao lado, onde hoje fica o Banco do Nordeste, mas as atividades na escola sempre continuaram a todo vapor, pois para Nogueira, o proprietário e diretor, o colégio era muito importante, a educação das crianças e jovens que recorrem à educação para transformar o mundo era tudo para ele.
- Nossa! Muito legal professora, mas e a família dele? Ele tinha filhos? E a mulher dele? – Perguntou Kate animada com a história.
- O tio Nogueira era casado com a tia Fátima e eles tinham três filhos, duas meninas e um menino, eu inclusive brincava com uma das filhas dele sempre que podia. – Respondeu Lydia.
- Mas como a escola chegou até o seu tio? – Perguntou Ben.
- Foi um momento triste, o pai do Tio Nogueira estava doente e sua família precisava dele em sua terra natal, e sua única escolha foi vender a escola, e vendeu para alguém que já conhecia e que confiava o suficiente para dar um de seus bens mais preciosos, meu tio Vespúcio Vagner comprou a escola e presenteou minha tia Maria. – Contou Lydia.
- Um presentão desses! – Disse Ângela rindo.
- Obrigado pela história tia. – Disse Mário satisfeito.
Aqueles jovens ficaram inspirados com a história de sua escola, e principalmente de Nogueira que, enquanto pôde, lutou com unhas e garras pela educação das crianças daquela cidade.
Caro leitor, aguarde a continuação dessa história, que será disponibilizada neste mesmo site, terça-feira 07 de julho.
In memorian.
Francisco José Nogueira de Melo, pai, amigo, professor e ferrenho defensor da educação como melhor forma de mudar o mundo, este homem foi uma figura ímpar na formação de homens e mulheres da cidade de Presidente Dutra, seu trabalho com o Colégio Rui Barbosa ( Drummond na ficção) foi de suma importância na construção de uma sociedade melhor e mais justa, de homens e mulheres íntegros. Aqueles que o conheceram o amavam, e aqueles que souberam de sua história o admiram. As palavras da professora Ioneth Matos (Lydia Fragoso na ficção) são reais, assim como a curiosidade e interesse dos alunos.
Deixo aqui minha homenagem a este grande homem.
- Edmundo Teixeira, o jovem Ben.
Comentários
Postar um comentário