A Poesia não morre
O poeta não some
A escrita não se aposenta
O livro não se fecha para sempre
A poesia se reinventa
O poeta se reconstrói
A escrita se transforma
O livro muda
Poesias de amor tornam-se poesias de dor
Sonetos de paixão reformam-se em sonetos de devastação
Versos românticos mudam-se para versos trágicos
O poeta que outrora brilhou, agora vive no escuro
Os olhos que resplandeciam, agora jazem em pranto
As mãos que escreviam com amor, agora servem pra diminuir a dor
A escrita espetacular pôs-se a apagar
As letras ardentes ficam congelantes
A lua se escondeu
Aquele livro não está mais aberto
A obra foi queimada e enterrada
As páginas dilaceradas em sequidão de estio
A vida muda, as pessoas mudam, as obras mudam
As memórias ficam, as dores crescem, as paixões sessam
Tudo muda, tudo passa.

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