Analisar a vida é algo complexo, doloroso, perigoso, mas necessário. Sem esta atitude é possível que se cometam muitos erros destrutivos a si próprio e à sua jornada pessoal de crescimento individual. Desta forma, não há como seguir em frente sem analisar o tópico: AMOR DA MINHA VIDA. E quanto ao tema, adiciono ainda uma interrogação no final "AMOR DA MINHA VIDA?". Interrogo para entender o real sentido desse termo e conseguir debater, comigo mesmo, sobre esse assunto sem sair pela tangente.
O Amor da minha vida realmente existe? Uma voz antiga disse uma vez que existem dois amores, o amor da vida e o amor para a vida, e a felicidade seria inteira quando os dois amores estivessem no mesmo indivíduo, e este me fizesse inteiro. Contudo, devo, em minha individualidade, discordar de tal afirmação, embora no passado tenha concordado, não posso negar, e discordo hoje porque sei que amor é amor e sendo ele o amor da vida ou o amor para vida, são ambas faces de uma mesma moeda, além de que o conceito de que o outro me fará inteiro é absurdamente doentio, não quero aqui problematizar o romance, apenas salientar a forma com que o romance foi transformado em dependência integral de outro, de tal forma que eu só serei completo se tiver outro me completando. Nesse sentido, um sábio uma vez sussurrou que nós somos como cálices de vinho, e uma vez que eu esteja cheio, devo encontrar alguém que me faça transbordar, ou seja, não preciso ser completo por alguém humano, mas devo me completar por conta própria, para que este outro apenas some comigo e me faça transbordar de tanta fartura de ser.
Retornando ao cerne da questão, me questiono se "o amor da minha vida" como se entende popularmente, um alguém que me ame e que diga sim, alguém que eu guarde em meu coração e quem o faça também comigo, um indivíduo que se entregue para um propósito e corra contra o vento ao meu lado, gritando o quanto o dia está lindo ou o quanto as flores da estação se superaram esse ano. Esse alguém realmente pode existir? Será que esse amor da vida ou para a vida pode ser encontrado em alguém? Ou talvez ele esteja em um amanhecer de domingo, numa paisagem, numa boa risada dos amigos, em um abraço de mão, em um beijo na testa dado por uma avó, no olhar de uma criança ou num entardecer derradeiro de uma árdua semana.
Já procurei, enganado pela primeira voz, este amor em pessoas que me fossem completar, procurei nos mais belos olhos supostamente amorosos uma completude que para mim seria impossível encontrar, procurei, e não nego, em abraços de pessoas uma completude que só se poderia ser encontrada dentro do meu próprio ser. Não, o amor da minha vida não está em uma pessoa, com certeza não, o amor da minha vida, eu te digo, está em um caloroso "bom dia" em uma manhã de acampamento, o amor da minha vida está em um choroso "estou com saudade" das pessoas que realmente importam, este amor está no perdão daqueles que machucamos e no perdão que liberamos, sem dúvidas esse amor eu procurarei em vão se de fato não procurar com o coração, um vez que a sábia Raposa disse que o essencial é invisível aos olhos, só se vê bem com o coração. Só encontro o amor da minha vida e o amor para a minha vida ao olhar as situações, os amigos, a família, a natureza criada e a realidade ao meu redor com o coração.
De fato, o amor da minha vida sempre esteve mais perto de mim do que eu podia perceber, mas ele nunca foi uma pessoa, tampouco alguém que dissesse me amar e que estaria sempre ao meu lado, não, pessoas vem e vão. O amor da minha vida está fracionado, dividido, e eu posso senti-lo em lugares, situações, amigos, olhares e até mesmo na solidão, onde eu próprio e aperfeiçoo e posso amar a mim mesmo.
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