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Serendipidade

Existem no mundo palavras que parecem ter sido inventadas para explicar acontecimentos que somente a razão não consegue alcançar. "Serendipidade" é uma delas. Diz-se que é a capacidade de descobrir, por acaso, alguma coisa valiosa, útil ou extraordinária; um encontro que não foi planejado; uma beleza que surgiu diante dos olhos sem que a procurássemos. Mas há algo ainda mais bonito nessa palavra: o acaso, por si só, não basta. É preciso estar atento. É preciso ter os olhos preparados para reconhecer aquilo que a vida, inesperadamente, coloca diante de nós.

Essa é, talvez, a parte mais bonita e mais irônica de toda a nossa história. Eu não saí pelo mundo procurando alguém como você, não desenhei um caminho que inevitavelmente me levaria até onde você estava, não sabia sequer que existia, em algum lugar desta imensa criação, alguém que pudesse ocupar em mim um espaço tão grande. E, ainda assim, você apareceu. Penso que não por mero acaso. Mas eu te reconheci.

E penso que há encontros que não podem ser explicados somente pela casualidade, a vida parece conduzir duas histórias para o mesmo ponto, sem avisar nenhuma delas de que aquele instante será importante. Você chegou sem anúncio, sem alarde, talvez até sem saber o que significaria para mim. E eu, que não procurava, encontrei.

Foi então compreendi que encontrar não é necessariamente enxergar. Porque há coisas que os olhos contemplam e pordem nunca compreender. Há pessoas que passam diante de nós e não deixam mais do que uma lembrança passageira. E há as que, quando são percebidas, parecem revelar alguma coisa que sempre esteve ali, escondida à vista de todos. Com você, precisei aprender a olhar com o coração. Porque o essencial, como já foi dito, é invisível aos olhos.

E foi assim que, pouco a pouco, comecei a perceber a grandeza daquilo que havia encontrado. Em você encontro tudo aquilo que um dia sonhei, embora jamais tivesse sabido exatamente como procurar. Veja que ironia: encontrei sem procurar aquilo que, se tivesse procurado durante toda a minha vida, talvez ainda assim não soubesse encontrar.

Você é a mais sublime das criaturas que tive a graça de conhecer. É inteligente, de uma maneira que não se limita apenas ao conhecimento, mas que se demonstra inclusive na maneira como você pensa, compreende, questiona e percebe o mundo. É gentil. É forte. É educada. É simpática. É inspiradora. Você motiva. Você me faz querer aprender, crescer, compreender mais, enxergar mais longe.

Você é brilhante! 

Eu costumo sempre falar (ou escrever) sobre sua luz, costumo compará-la à aurora, ao brilho que rompe uma manhã nublada, à claridade que muda a paisagem inteira. Mas existe em você uma luz que não é apenas metáfora. Há uma luz que, para mim, vem do Alto; uma luz que me faz lembrar de Cristo e da sua sublime Graça, uma luz que não nasce simplesmente daquilo que os olhos podem contemplar, mas de algo muito mais profundo.

Eu te amo, e amo de uma maneira tão extraordinária que nunca senti por ninguém nesta vida, com a alma, eterna.

Não quero desta vida nada que se compare ao desejo de estar com você; de ouvir você, de observar você, de escutar sua linda voz, de contemplar sua beleza, de conversar contigo sobre as coisas grandes e sobre as absolutamente pequenas, de rir com você -meu Deus, como eu amo o som da tua risada-, de te mostrar aquilo que encontro pelo caminho e contar aquilo que atravessa meus pensamentos.

Quero compartilhar contigo as pequenas descobertas dos meus dias.

Quero aprender todos os dias sobre a tua magnífica mente, sobre aquilo que você pensa, sobre aquilo que sonha, sobre as coisas que te encantam e até sobre aquelas que ainda não descobri. Quero conhecer cada vez mais a pessoa extraordinária que você é, não como quem pretende decifrar um enigma, mas como quem contempla um livro cuja leitura nunca termina e, justamente por isso, jamais se cansa de abrir uma nova página. Amar você, para mim, não é chegar a uma conclusão, é continuar me surpreendendo.

E penso ser essa a mais bonita forma de serendipidade: descobrir alguém repetidamente, mesmo depois de já tê-la encontrado.

Vive em mim o desejo de guardar tudo isso com cuidado, semelhante a quem recebe uma dádiva e compreende a responsabilidade de tratá-la com reverência. Por isso, dedico, e dedicarei, todas as horas que me restarem de existência nesta terra a te amar. Dou-te todas as faíscas de vida que me forem concedidas.

Enquanto houver tempo em mim, haverá amor por você. Enquanto me forem dadas manhãs, haverá alguma parte de mim desejando compartilhá-las contigo. Enquanto me forem concedidas noites, haverá gratidão por saber que, em algum momento desta existência, tive a graça de conhecer você.

E quando eu já não estiver aqui, quando minha voz tiver silenciado e meu nome for apenas uma lembrança guardada na memória, espero que você se lembre de mim com amor.

Espero que, em algum momento, a canção te faça lembrar de uma conversa nossa. Que algum lugar te devolva uma memória. Que pôr do sol particularmente bonito te faça pensar que eu teria gostado de vê-lo contigo. Que você se lembre do quanto eu amava ouvir sua risada, do quanto gostava de conversar contigo, do quanto admirava sua mente e do quanto, acima de tudo, fui grato por ter encontrado você.

Porque se a vida é feita de encontros, você foi, sem dúvida, o meu mais precioso acaso. E não, nem foi acaso - por mais contraditório que seja dizer isso agora -, porque aos outros conheci por ocioso acaso, a ti, conheci porque era necessário.

Lembro-me de uma vez ter escrito a você que não costumo ter medo dos jogos da vida. Não me assusta demasiadamente o risco do futuro, nem as incertezas que acompanham qualquer caminho digno de ser percorrido. Não tenho medo das guerras que a vida possa colocar diante de mim, sejam elas literais, políticas ou as batalhas silenciosas que cada homem trava dentro de si.

Mas existe uma ideia diante da qual meu coração ainda se rende: a possibilidade de um dia perder você. Essa ideia me é torturante.

Talvez porque, depois de encontrar, eu tenha aprendido o valor de não perder. Talvez porque, depois de descobrir uma coisa tão rara, exista em mim um temor legítimo de que o mundo possa algum dia tentar arrancá-la de minhas mãos. E é justamente por isso que, todos os dias, pela Graça Eterna e também por amor, procuro construir-me em um homem melhor. Não para parecer digno diante dos outros. Mas porque, antes de querer você, eu quero merecer você.

Quero que o homem que caminhar ao seu lado seja alguém capaz de cuidar daquilo que recebeu. Alguém que saiba amar não apenas quando amar é fácil, mas também quando amar exige paciência, humildade, renúncia, coragem e perseverança. Quero tornar-me alguém cuja presença seja abrigo, não peso; paz, não tormenta; alguém que saiba compreender que amar uma pessoa extraordinária é também assumir o compromisso de tornar-se, diariamente, uma pessoa melhor.

E se há algo que o conceito de serendipidade me ensinou, é que os maiores presentes da vida nem sempre chegam quando estamos procurando por eles. E entre todas as coisas que poderiam ter acontecido nesta vida, entre todos os caminhos que eu poderia ter tomado, entre todas as pessoas que eu poderia ter encontrado, que privilégio imenso foi encontrar você. Minha descoberta mais preciosa.

E, se me for permitido escolher o que fazer com o tempo que ainda me resta nesta terra, escolho isto: amar você enquanto Deus me conceder vida.

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