Amar-te é um doce. Querer-te que é doído. É ter o coração em festa e o corpo entristecido; É trazer tua presença em cada pensamento, E padecer da ausência a cada movimento. É querer teus beijos sem ter os lábios teus, Procurar teu abraço nos braços que são os meus; É sentir falta do cheiro que em ti se anuncia, E desejar teu colo ao findar de cada dia. Ah, como dói querer-te assim, tão demoradamente, Ter-te em todos os sonhos e não te ter presente. Querer afagar teus cabelos, repousar em teu abraço, E descobrir que a miserável da distância é que agora ocupa espaço. Sinto falta do carinho que dispensa a fala, Da tua pele que a minha, em silêncio, tanto reclama; Do riso que me desarma, do olhar que me encanta, E desse teu colo, onde até a tristeza se amansa. Sinto que há nos teus braços qualquer coisa de abrigo, Um lugar onde o mundo não parece tão inimigo. E, se me fosse dado escolher onde repousar, Seria entre teu peito e o direito de te amar. Não me faltam pensamentos, tampouco motivo...
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