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Querer é doído

Amar-te é um doce. Querer-te que é doído.

É ter o coração em festa e o corpo entristecido;

É trazer tua presença em cada pensamento,

E padecer da ausência a cada movimento.


É querer teus beijos sem ter os lábios teus,

Procurar teu abraço nos braços que são os meus;

É sentir falta do cheiro que em ti se anuncia,

E desejar teu colo ao findar de cada dia.


Ah, como dói querer-te assim, tão demoradamente,

Ter-te em todos os sonhos e não te ter presente.

Querer afagar teus cabelos, repousar em teu abraço,

E descobrir que a miserável da distância é que agora ocupa espaço.


Sinto falta do carinho que dispensa a fala,

Da tua pele que a minha, em silêncio, tanto reclama;

Do riso que me desarma, do olhar que me encanta,

E desse teu colo, onde até a tristeza se amansa.


Sinto que há nos teus braços qualquer coisa de abrigo,

Um lugar onde o mundo não parece tão inimigo.

E, se me fosse dado escolher onde repousar,

Seria entre teu peito e o direito de te amar.


Não me faltam pensamentos, tampouco motivos para escrever,

Falta-me a tua presença, que não consigo substituir, nem por querer.

Essa saudade o tempo não é capaz de fazer esquecer,

E há distâncias que só se vencem por se querer.


E não, não é somente a vontade de teus beijos,

Nem a falta dos abraços que alimentam meus desejos.

É que, entre tantas coisas que em ti me fazem bem,

Há uma paz que não encontro em nada além.


Bem penso que seja esse o preço de sentir tão profundamente:

Ter a alma junto à tua e o corpo ausente.

E, ainda que a saudade me castigue sem piedade,

Não trocaria o doce de amar-te, nem sequer pela cruel paz do silêncio.


Amar-te é um doce, repito, e isso não há como negar.

Doído é querer-te e não poder fazer do teu colo o meu lar.

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