Pular para o conteúdo principal

A cor da vida

 




    Certa vez foi dito que ouvir o som da tua voz, a melodia do teu canto, ver o brilho dos teus olhos, sentir teu cheiro e admirar teu riso, era uma sensação semelhante a de um recém nascido que pela primeira vez sente as belezas e maravilhas da criação, que desde a luz do sol até o poderoso trovão, num misto de sensações eram equiparados a tua sublime existência, existência pura e simples, somente você sendo você. 

    Agora, não com o mesmo sentimento, mas após potencializá-lo e forjá-lo pelos calores da vida e do nosso tão forte e gostoso amor, é possível, e facilmente declarável, simples para mim como o primeiro suspiro do dia, dizer que além de comparável às mais perfeitas obras de arte do universo, tua existência embeleza a minha, traz luz ao meu viver e cor à minha outrora monocromática existência. Eu que antes era um reduto do frio e da mais melancólica poesia, com teu toque, passo a ser um embaixador da paixão, como se meus olhos estivessem agora com lentes que me permitem ver as cores da vida, e são cores vibrantes, cores alegres, o mundo quando estou ao teu lado me parece contigo: VIVAZ!

    Houve sim, um tenebroso instante da vida em que pensei ter chegado ao ponto de onde não mais sairia, e que dali a diante viveria como uma fortaleza de um homem só, com segredos guardados, sonhos individuais e frios, uma casa vazia e silenciosa, apenas com meus livros, meu café, papel e caneta para encher da melancolia dos dias finais. Contudo, a graça, que é favor absolutamente imerecido, trouxe-me um pálio de luz, cheio de cores vivas e quentes, que iam desde os tons aconchegantes do crepúsculo e da aurora, aos tons inspiradores de uma sexta-feira de maio, onde o céu azul ilumina perfeitamente os detalhes da criação. Este manto de luz que passou a encobrir meus dias e me fez querer agora voar, fez-me enxergar que a vida pode ser sim muito mais daquilo que esperava, passou a ser possível e absolutamente cotidiano, pensar em um futuro de sorrisos, abraços, uma casa cheia da luz do sol e um cheiro doce de lar.

    É possível sonhar, e confiando neste divino laço, ver uma vida que vale à pena ser vivida, e vivida no aconchego dos melhores abraços, perfumadas com esse inesquecível aroma de lar, que irradia dos pequenos detalhes. Sem dúvidas, desde que a vida passou a ser iluminada pelo brilho dos teus olhos, ter a melodia da tua voz e ter o teu cheiro de casa, ela passou ser mais viva, por mais redundante que possa parecer, ela passou a ser a vida que eu quero viver, porque para mim, a vida boa é desfrutando da tua companhia e amando você como você merece ser amada, dedicando-te cada instante que me for dado, cada verso que tu mesma me inspirar a escrever, cada abraço, beijo e respiração que me for possível, pelo tempo que me restar. Por tua causa, todas as poesias, todas as obras de arte, todas as canções, os pores do sol, o canto dos pássaros, a luz da lua e o brilho das estrelas me fazem sentir saudade, mas melhor que isso, me fazem pensar em ti.

    Daquele que é, e sempre será, teu.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A Janela

     Paro diante daquela janela, grande, ornada, silenciosa. Há algo nela que não é apenas vidro: é limiar. Para além de sua transparência, estende-se uma paisagem que não pertence propriamente a lugar algum. Não é um caminho que leve de cá para lá, mas uma travessia mais profunda: de quem fui para quem serei; de ontem para um amanhã que ainda aprende a nascer.      Ali, na distância macia daquele horizonte, vejo um menino.  Ah, que menino luminoso!      Ri com a liberdade de quem ainda não aprendeu a medir a própria alegria. O vento passa por seus cabelos como se lhe contasse segredos antigos, e ele responde, talvez conversando com o céu, talvez com um amigo invisível que o acompanha desde antes de suas primeiras lembranças. Corre com um brinquedo na mão, tropeça na própria pressa de viver, levanta os olhos para o alto como quem reconhece, no infinito azul, uma voz familiar.      Era um menino iluminado.  E pressi...

Serendipidade

Existem no mundo palavras que parecem ter sido inventadas para explicar acontecimentos que somente a razão não consegue alcançar. "Serendipidade" é uma delas. Diz-se que é a capacidade de descobrir, por acaso, alguma coisa valiosa, útil ou extraordinária; um encontro que não foi planejado; uma beleza que surgiu diante dos olhos sem que a procurássemos. Mas há algo ainda mais bonito nessa palavra: o acaso, por si só, não basta. É preciso estar atento. É preciso ter os olhos preparados para reconhecer aquilo que a vida, inesperadamente, coloca diante de nós. Essa é, talvez, a parte mais bonita e mais irônica de toda a nossa história. Eu não saí pelo mundo procurando alguém como você, não desenhei um caminho que inevitavelmente me levaria até onde você estava, não sabia sequer que existia, em algum lugar desta imensa criação, alguém que pudesse ocupar em mim um espaço tão grande. E, ainda assim, você apareceu. Penso que não por mero acaso. Mas eu te reconheci. E penso que há enc...

Transformação

     O amor, quando o é, não se contenta em ser apenas aquilo que sentimos, ele nos convoca àquilo que ainda não somos.      Porque houve um instante, silencioso, quase irrepetível, em que compreendi:  ela era, sem esforço, a mais espetacular das criaturas que meus olhos já ousaram alcançar.      E não falo de um deslumbramento raso, desses que o tempo dissolve com facilidade,  mas de algo mais grave, mais denso, quase um espanto permanente, uma espécie de reverência íntima que não se explica, apenas se sustenta.      E foi ali que o amor deixou de ser somente encanto   e passou a ser decisão.      Pois, sabendo quem ela era, não me bastava admirá-la.      Não me bastava querê-la.      Era preciso, de algum modo, tornar-me digno daquilo que eu reconhecia,  não por imposição, mas por uma urgência quase sagrada de não amar de maneira pequena aquilo que em si ...