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A MENOR DE TUAS VIRTUDES

Belíssima, de fato, não há o que contestar,

mas essa era, provavelmente, a menor virtude a admirar.

Pois há beleza que se contempla e logo se esquece,

e há aquela que, quanto mais se conhece, mais cresce.


Há um universo inteiro por detrás do teu olhar,

uma mente inquieta, impossível de aprisionar.

Não te contentas com a superfície das coisas,

nem te curvam as verdades que te oferecem prontas e ocas.


Há inteligência no modo como percebes,

e uma lucidez que poucos olhos concebem.

Vês nas entrelinhas o que tantos deixam passar,

lês o silêncio onde outros só são capazes de falar.


Tens a força de quem aprendeu a viver,

sem fazer da própria dor razão para correr.

Trazes a firmeza de quem conhece o próprio valor,

sem que a altivez te roube a delicadeza ou mesmo o ardor.


Tua perspicácia não precisa anunciar-se,

basta um instante para o engano revelar-se.

Há quem fale muito e pouco tenha a dizer;

tu, às vezes, silencias, e fazes o mundo compreender.


E se os teus traços primeiro me fizeram reparar,

foi tua essência que me ensinou a admirar.

É certo que o tempo pode os mais belos rostos transformar,

mas há virtudes que sequer os muitos anos podem apagar.


Quanto mais te descubro, mais tenho a reconhecer:

há muito em tua alma que me escapa ao compreender.

És dessas raras almas que não se deixam decifrar,

e que, quanto mais conhecidas, mais nos fazem admirar.


Por isso, se me perguntam o que em ti me fascina,

não me basta falar da beleza que te ilumina.

Falo da mente questionadora, da força inamovível,

da sagacidade que enxerga além do que se mede.


Belíssima, repito, e o afirmo altivamente,

mas é tua extraordinária alma que embeleza a vida;

pois, entre tantas virtudes que te adornam tão vivamente,

ser bela é, talvez, a menos extraordinária - embora radiante - de tuas dádivas.


- Edmundo Teixeira

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